Jamila Mafra
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15/11/2018 14h19
Histórias do Amanhã, As Cidades Submersas - Conto 03 - Brian, O Garoto Androide - Ficção Científica Cyberpunk

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Sinopse

A vida na Terra e também fora dela nunca foi tão desafiadora quanto agora. O futuro chegou e é preciso que os seres humanos comecem a decidir o que farão com o mundo daqui por diante. Histórias sobre o futuro, narradas de um modo simples e que convidam todos a uma reflexão sobre a existência fazem parte desta obra. Este planeta não é e nunca será o mesmo, assim também é com seus habitantes. Histórias do Amanhã, As Cidades Submersas é uma obra de ficção científica infantojuvenil que trata de temas como a convivência de seres humanos com androides, vida em outros planetas, guerras e catástrofes climáticas. Vivemos em um universo infinito e com possibilidades desconhecidas e até inimagináveis por nossa mente mortal e limitada. Entretanto a possibilidade de vida extraterrestre é algo muito evidenciado e estudado seriamente pela ciência e astronomia moderna, o que torna a ficção uma parte das possíveis realidade do universo.

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Conto 02

Brian, o Garoto Androide

Em 1970 um grupo de cientistas americanos iniciou um projeto secreto de construção de cinco robôs androides. E isso com o objetivo de formar uma família artificial com esses robôs que tinham a perfeita aparência humana, não somen­te por fora, mas também por dentro, e assim inseri-los no convívio social. Possuíam todos os órgãos exercendo funções semelhantes aos originais. Cinquenta anos depois do início do projeto esses perfeitos androides estavam prontos, tinham artificialmente todos os sentimentos e demonstravam todas as emoções tais quais o fazem os seres humanos, junto com os quais viveriam. Eles viveriam em uma casa preparada es­pecialmente pra eles habitarem tal qual uma família normal.

Estavam perfeitos, os cinco! Os dois androides com apa­rências mais maduras que representariam os pais, havia ainda dois androides adolescentes, um rapaz e uma moça, e por fim o androide mais novo, o caçula dos três filhos.

Tudo neles era muito igual aos seres humanos, com ex­ceção apenas dos ossos que eram de aço.

Eles podiam até comer e tomar banho normalmente. Nesse caso com uma pequena diferença de que a comida ao cair em seus estômagos era totalmente queimada e reduzida a vapor aspirado por eles com uma grande seringa através do umbigo. Afinal, pra conviverem entre os mortais esses robôs precisavam pelo menos fingir que comiam. Para eles também foram preparados empregos, carros, documentos, escola para as crianças e todas essas coisas que a vida humana exige. Essa família passou a se chamar família Van Huffel.

Mas androides não envelhecem, sendo assim os cientis­tas pretendiam deixar essa família no máximo dois anos em  uma mesma cidade. E permaneceriam assim, como máqui­nas nômades até que seus donos dessem por concluída sua experiência. É difícil explicar, mas esses robôs tinham cons­ciência de que eram apenas máquinas e não seres humanos, seu cérebro positrônico era simplesmente perfeito.

A família Van Huffel era monitorada 24 horas por dia. Havia câmeras espalhadas por toda a sua casa. Seus passos eram todos conhecidos pelos seus cientistas inventores. Em seus próprios corpos artificiais havia dispositivos radares para sua localização. E ao contrário do que possa parecer, esse não era mais um reality show sensacionalista, isso era sim um grupo de cientistas manipulando a vida humana através da tecnologia. Seus criadores estavam prontos para qualquer resgate imediato em caso de algum incidente. Afinal o ob­jetivo deles era claro, inserir e observar esses androides na sociedade e analisar sua convivência com os seres humanos e o comportamento desses seres biológicos diante do que não parece ser mecânico.

Oito horas da noite a família Van Huffel estava ao redor da mesa esperando que dona Lucy servisse o jantar; Edward o pai, Junior o caçula, Brian o rapaz e Mara a moça. Cada um já tinha o seu destino decidido. As crianças foram matriculadas na escola da cidade, Lucy como é de praxe, fora programada pra ser uma excelente dona de casa, o grande patriarca da casa, senhor Edward, era um grande executivo de uma em­presa com filial na cidade vizinha.

– Espero que todos gostem do cardápio de hoje! Eu fiz macarronada italiana! Tenho certeza que todos aqui vão lam­ber os lábios! – Lucy disse enquanto colocava a bandeja de macarrão na mesa.

Todos olharam animados para a macarronada, até sen­tiam o gosto, imitação perfeita do paladar!

Depois do jantar Lucy e Edward sempre beijavam e abraçavam os filhos com um sorriso e um desejo de boa noite!

 

Nesse caso a humanidade estava mais condicionada à atitude do que aos fatores biológicos.

Brian tinha uma grande vantagem na escola, devido ao seu incrível cérebro ele podia gravar todo o conteúdo dos li­vros. Assim era o aluno nota dez da sala, e isso em todas as matérias! Mas um mortal comum não é perfeito, mesmo os mais gênios têm os seus pequenos erros, questão de déci­mos. Assim, de vez em quando ele errava de propósito pra ninguém desconfiar, é óbvio. Mas também suas notas nunca eram abaixo de 9,5.

Ele era um rapaz muito enturmado com os colegas, sua genialidade não atrapalhava em nada seu relacionamento com todos ao seu redor. Em sua classe estudava Tayli, uma garota diferente das outras de sua idade. Ela vivia sempre sozinha aonde quer que fosse, era séria, afastada dos outros colegas. Na escola, quando não estava dentro da sala de aula, estava sentada no banco do pátio lendo um livro.

Apesar de já conviverem algum tempo, Brian mal per­cebia a presença de Tayli. Não era pra menos, um rapaz com tanta influência e popularidade na escola realmente não no­taria a ignorada presença de uma moça que fazia questão de ser ignorada. No entanto, tudo tem a sua hora de mudar. Em mais um dia daqueles em que os corredores estão bem mo­vimentados Tayli e Brian se esbarraram, fazendo com que os livros dela caíssem no chão.

– Oh! Desculpe, moça! Deixa que eu pego seus livros pra você! – Brian disse recolhendo os livros do chão em seguida.

Depois de ter seus livros de volta em mãos ela agradeceu com voz desanimada:

– Obrigada, Brian.

Ela seguiu seu caminho adiante e ele seguiu o dele. No dia seguinte na hora do recreio, depois de tanto tempo foi então que Brian percebeu que Tayli estivera sempre afastada, sozinha num canto. Por algo que talvez possamos chamar de

instinto, ao vê-la ali sentada naquele banco lendo um livro, sentiu vontade de estar ao lado dela, e sem pensar duas vezes se aproximou e então se sentou ao lado de Tayli.

– Sempre sozinha nesse canto, Tayli! Por que não se jun­ta a seus colegas? Venha comigo, vou enturmá-la! – convidou-a sorrindo.

– O que é isso, Brian? Durante meses você sempre pas­sou por mim aqui nesse mesmo canto e nunca me disse nem mesmo um oi. Que interesse repentino é esse na minha soli­dão? Sou tão diferente de todos, não temos nada em comum, já houve até quem me dissesse que eu não era gente! Eu sem­pre fui assim e é assim que eu prefiro estar! Aproveito o tem­po livre para aprender lendo os meus livros. Os outros acham que o que eu digo é loucura! – ela respondeu-lhe.

– E o que você diz?

– Aí é que está o mais estranho! Eu quase não digo nada! Sabe, agora acho você mais estranho do que eu – salientou.

– E por que acha isso?

– Ora, Brian, você é a primeira pessoa que fala comigo por livre e espontânea vontade, e também o único a ser gentil comigo até agora. Se eu tivesse esbarrado em outra pessoa com certeza seria xingada. Então me conte, qual é o seu se­gredo para tirar nota dez em todas as provas? – questionou curiosa.

– Tayli, isso é muito simples, eu tenho um cérebro posi­trô...... – Brian interrompeu a frase percebendo a gafe.

– Você tem o quê? Eu ouvi você dizer que tem um cére­bro positro alguma coisa!

– Oh, não, Tayli! Eu quis dizer que meu cérebro é como se fosse eletrônico. Eu sou um gênio, esqueceu? – gabou-se.

– Ah, sei! Seu QI é maior que o de Einstein! – reconhe­ceu irônica.

Esse foi apenas o início de uma sólida amizade que se iniciou entre esses dois jovens cheios de expectativas pro futuro. Tayli continuou sentada no banco do pátio sempre lendo seu livro, com a diferença de que agora ela tinha uma companhia, Brian! Dos outros colegas ela não conseguiu se aproximar, mas dele sim, talvez porque os outros não a com­preendessem tanto quanto ele a compreendia.

Um dos milagres dessa amizade foi o fato de que an­tes Tayli só saía de casa para ir à escola ou então ao museu e planetários. Dessa vez ela aceitou algo menos formal, ela saiu com Brian para o shopping center e depois foram até ao cinema. Obviamente ela continuava a preferir seus museus e passeios educativos, mas eles revezavam, afinal, quando se está com quem se gosta todo lugar é divertido.

Entretanto no meio dessa história toda algo muito preo­cupante estava acontecendo. Há muito tempo um grupo de cientistas rival investigava o projeto secreto sobre a constru­ção dos androides, e armaram todas as estratégias para des­cobrir onde essas cópias artificiais de seres humanos seriam colocadas, e isso com o objetivo de capturá-las e constatar como essas perfeições mecânicas funcionavam e, claro, fazer muitas outras delas. Por fim acharam a cidade que talvez essa família de máquinas estivesse vivendo, tiveram que observar por muito tempo os habitantes da cidade até localizá-los, po­rém só teriam um problema: por serem tão parecidos com seres humanos como saberiam quem eram as máquinas e quem eram os pobres mortais? Concluíram que seria simples identificá-los, pois os robôs não tinham sentimento e com certeza deveriam ter um comportamento estranho e diferen­te dos demais a sua volta. Assim no andar de suas investi­gações, principalmente nas escolas, desconfiaram que Tayli seria um dos androides, por vários meses a investigavam na escola, seguiam-na, e suspeitavam que toda sua família fosse de metal. E tudo isso porque consideraram-na estranha e di­ferente dos demais a sua volta. Realmente a única a ter tais comportamentos.

 

Em uma dessas noites de céu estrelado, sentado na es­cada da varanda Brian conversou com seu pai. Sempre pronto pra ajudar os filhos no que precisassem o senhor Van Huffel não relutou nem mesmo por um minuto e prontamente se propôs ouvir seu filho naquele momento.

– Pai, sei que somos apenas máquinas, mas às vezes eu gostaria de ser humano. Eles se comovem tão facilmente com tudo. Gostaria de saber como é sentir emoções de verdade. Não queria ser apenas um robô! – Brian lamentou.

– Sabe, Brian, existem verdades que contrariam a nossa própria natureza de aceitação.

Onde eu trabalho, por exemplo, existem pessoas que não gostam de ser o que são. Estão sempre reclamando de tudo. Os subordinados querem se tornar chefes, e os chefes dizem que é uma carga exaustiva ser chefe. Meu filho, cada ser foi feito pra ser o que é. Nós somos máquinas e temos que aceitar essa condição e cumprir nosso propósito – consolou-lhe o pai.

– Mas por que somos obrigados a aceitar isso?

– Não escolhemos existir porque fomos fabricados. So­mos apenas máquinas! Entenda isso, Brian!

– Sabe, pai, na escola percebi muitas coisas. E observan­do percebi que nós robôs somos controlados pelos programas eletrônicos de nosso cérebro positrônico, feito por nossos in­ventores, e os seres humanos são controlados por seus pró­prios conceitos de comportamento. Tem uma colega minha que tem um comportamento estranho aos olhos de todos os colegas e ela me disse que já houve quem dissera que ela não era gente!

– Sim, Brian, você tem razão. Nós robôs somos obriga­dos a ser assim porque fomos programados pra isso, mas os seres humanos têm o privilégio de mudar e tomar suas pró­prias decisões, e muitos, ainda assim, preferem não escolher ou simplesmente se conformam. Se tornam escravos da acei­tação – Edward afirmou.

 

– Os seres humanos erram, e nós fazemos tudo certo de acordo com nossa programação. Ao menos não precisamos sofrer o pesar do arrependimento de não poder voltar atrás depois de uma atitude má – Brian conclui seu pensamento.

Um belo dia Brian convidou Tayli pra comer pizza num restaurante do shopping, lugar onde mais iam juntos, já esta­vam até dizendo que os dois estavam namorando, e ele come­teu mais um de seus deslizes. Desajeitado do jeito que era ao invés de cortar a fatia da pizza “cortou” o dedo, quero dizer, passou a faca afiada no dedo, Tayli ao perceber deu um grito:

– Brian, você cortou o dedo! Está tudo bem com você?

– Oh, meus céus! Cortei o dedo e nem percebi!

– Não percebeu? Está doendo? Que estranho, seu dedo não está sangrando! Nossa! Pelo jeito que você passou a faca no dedo parecia que era um corte profundo.

– Oh, não se preocupe! Não foi nada! A faca passou de leve, foi impressão sua – desconversou.

Naquela noite Tayli voltou desconfiada pra casa, até co­mentou o fato com sua mãe:

– Mãe, hoje aconteceu uma coisa tão estranha com o Brian. Estávamos na pizzaria do shopping, ele foi cortar a pi­zza mas acabou cortando o dedo, eu tenho certeza que eu vi a faca praticamente serrar o dedo dele, mas não aconteceu nada, o dedo ficou intacto, não sangrou nenhum pouco. Pra senhora ter uma ideia nem a marca da faca não ficou no dedo dele! Acho que ele realmente não é desse mundo!

– Tayli, minha filha, vai ver você pensou ter visto o que na verdade não viu! A faca não deve ter encostado no dedo dele. Acho melhor você ir pra cama dormir. Descansa essa cabeça, menina! – sua mãe esclareceu-lhe.

E não foi só esse episódio que deixou Tayli desconfiada, uma série de contradições ditas pelo próprio Brian a deixa­ra confusa. Mas mesmo assim, fosse ele de outro mundo ou não, o que realmente importava pra ela era que com Brian ela descobrira o que significava ter um amigo verdadeiro.

 

Naquela linda manhã de primavera excepcionalmente dona Lucy levou as crianças de carro pra escola. Logo que che­garam, Brian avistou Tayli na entrada da escola a sua espera.

O sinal de entrada tocou, mas os dois adolescentes en­tusiasmados continuaram lá conversando no gramado da es­cola. De repente, sem mais nem menos, quando apenas os dois estavam ali, um carro preto parou diante deles, uns caras estranhos saíram do carro, um deles se aproximou de Tayli e abordou-a com as seguintes palavras:

– Garota androide, fique quieta e nos acompanhe no carro agora! Já sabemos que você é um robô!

– O quê? Que história é essa de robô? Eu não sei do que você está falando! Eu sou um ser humano, veja!

– Oh, sim! Você foi programada pra acreditar que é gen­te! – disse segurando-a pelo braço.

– Deixem-na em paz, eu sou o robô e não ela. Sou eu que vocês querem, levem-me! – Brian defendeu-a quase gritando.

– Que lindo, o namoradinho apaixonado defendendo a namorada máquina! Acorde, rapaz! A sua namorada não é nada do que você pensa. E não grite senão eu atiro, com licença!

Os homens estranhos pegaram Tayli pelo braço, coloca­ram-na no carro e levaram-na embora. Brian ficou um tanto quanto desesperado, pois sabia que agora sua própria família estava em perigo. Ele olhou ao redor, praticamente para todos os lados, não viu nada além do ônibus escolar parado com o motorista cochilando, havia deixado os alunos lá ainda pouco. Sem mais alternativas Brian expulsou aos empurrões o mo­torista de seu lugar, tomou o controle do ônibus e seguiu os sequestradores pela estrada.

Dentro do carro com os sequestradores a pobre moça quis saber:

– Poderiam pelo menos me dizer qual é o motivo do sequestro?

 

– É lógico que podemos. Um grupo de cientistas cons­truiu uma família de androides, e então descobrimos que você e sua família são esses androides. Primeiro capturamos você e depois será sua família. Já estávamos de olho em você há muito tempo.

– E por que acham que eu sou um robô?

– Você era a mais diferente de todos! Agora cale a boca! Va­mos seguir para o laboratório onde veremos do que você é feita.

– Essa não! Já estão me chamando de robô! – ela excla­mou consigo mesma.

Brian seguiu em desespero aquele carro. A polícia per­seguia o ônibus que ele dirigia pensando se tratar de roubo.

Os sequestradores levaram Tayli para o laboratório e co­locaram-na em cima de uma mesa de cirurgia. Amarraram-na na cama enquanto ela gritava. Eles queriam abri-la, ver como ela funcionava por dentro. Brian invadiu o local do laborató­rio, com o ônibus ele atravessou as grades que cercavam o local, com seus punhos de aço encheu os guardas de soco e entrou.

Ao chegar lá flagrou o momento em que Tayli gritava:

– Eu não sou um robô! Eu não sou um robô!

– Parem! Não toquem nela! Eu sou o robô! Eu é que não tenho sentimentos, não tenho vontade própria. Fui programa­do pra ser o que sou e fazer o que meus donos querem que eu faça. Não tenho liberdade porque fui fabricado. Mas hoje pela primeira vez farei algo que não estava na programação. O androide sou eu. Vejam! – Brian declarou.

Diante de todos que ali viam a cena Brian desencapou vários fios que haviam no chão e segurou-os provocando um choque elétrico em si mesmo. Antes ele ainda gritou:

– Assistam agora a morte de um robô!

Foi realmente terrível! Ele se explodiu em mil pedaços! Sua cabeça foi para um lado, seus braços para o outro. Foi possível ver todos os fios e ligações eletrônicas que haviam dentro dele. Naquele momento todos ficaram estarrecidos. Imediatamente os sequestradores soltaram Tayli e fugiram do local, eles gritaram:

– Oh, céus! Ele era o robô! Vamos correr, a polícia está aí!

Porém quem mais sofreu ao ver essa cena foi Tayli. No começo ela não entendeu nada, mas ao ver seu único e me­lhor amigo explodir, virar fumaça diante dela, sua face empa­lideceu e ela entendeu que na verdade nunca tivera alguém ao seu lado. A pessoa que ela já amava não era uma pessoa, era máquina. Chorando Tayli se aproximou dos restos de seu amigo e de joelhos segurando a cabeça dele exclamou:

– Brian, meu amigo, o que aconteceu? Isso não pode ser verdade! Você era só um robô! Mas você parecia ser tão verdadeiro, a pessoa mais verdadeira que conheci na minha vida! Isso é pior do que a morte.

Foi difícil as pessoas acreditarem nessa história. Pra po­lícia então nem se fala. Mas Tayli teve que seguir em frente mesmo sabendo que aquele que ela amava talvez nunca tives­se existido. Ela escreveu em seu diário:

“Para os outros o Brian foi só um robô, mas pra mim ele foi o ser mais humano que eu já conheci. Ele me ensinou o que é a verdadeira amizade, a alegria e o amor. Ele me ensi­nou a ser feliz. E ele estará sempre vivo na minha lembrança e no meu coração!”


Publicado por Jamila Mafra em 15/11/2018 às 14h19
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08/11/2018 08h49
Las Rosas de Los Siete Colores - Versión Kindle - (Spanish Edition) KindleEdition

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Karina, Sara y Tati son tres amigas que les gusta mucho jugar en el jardín de la abuelita María. 
Un día ellas visitan el mundo magico de las hadas encantadas  y viven una gran aventura en busca 
de la Rosa de los Siete Colores, una flor colorida igual al arco iris.


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05/11/2018 23h50
Um Amor e Um Amigo - Romance - Ebook Kindle

Um Amor e Um Amigo na Amazon

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A jovem Ana descobre o sentimento mais nobre do ser humano, mas aprende que junto com ele, muitas vezes surgem obstáculos a serem vencidos. As decisões serão sempre vitais e, sem percebermos, a razão pode ser mais forte e o sentimento então esquecido.

 

 

 

 

Vencer a si mesmo é sempre a mais difícil guerra a ser travada. Ana Maria, uma adolescente brasileira, decide estudar filosofia e morar com seu pai, um importante empresário italiano e viúvo, em Roma. Órfã de mãe, foi educada por suas tias nos padrões católicos.

Ela mal sabia de todas as surpresas e emoções que a vida lhe reservara na Cidade Eterna. Ao chegar ao seu destino, se depara pela primeira vez com o amor verdadeiro e sujeito a preconceitos.

 

 

 

 

O lema nova demais pra saber disso já não servirá mais para Ana, que aprenderá de uma maneira diferente o que é amar alguém de verdade. Depois que todas as lágrimas são derramadas, resta apenas tomar uma decisão: permanecer ou ir embora. É quando a dor do adeus torna-se inevitável.

 

 

Um Amor e Um Amigo é uma obra que envolve amor, filosofia, amizade, preconceito, religião, perdão, orgulho e tantos outros sentimentos que a alma humana é capaz de sentir.

 

 

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02/11/2018 14h31
Cidades do Futuro. Ano 2500. Ficção Científica Cyberpunk

Cidades do Futuro, Ano 2500. A Incrível História de Nebulosa Marylin, A Mulher do Século XXV eBook Kindle
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Em um futuro onde as cidades são protegidas artificialmente contra as variações bruscas de temperatura, onde a exploração interplanetária já é um negócio lucrativo e onde a riqueza de um ser humano é medida pela quantidade de vida animal e vegetal que possui, vive Nebulosa Marylin, uma jovem moça que saiu de sua megalópole para trabalhar em uma “cidade ecológica”.
Nas cidades do futuro as doenças são diagnosticadas e tratadas em questão de segundos, o turismo abrange grandes cidades do passado que ficaram submersas, a água potável é um bem extremamente raro e caro e as máquinas estão se tornando cada vez mais humanas. E é por causa delas que Nebulosa consegue seu primeiro emprego. Só não imagina que é através delas que descobrirá o amor.
Nebulosa descobre também que sofre de uma doença, mas, mais do que isso, está ciente de uma tristeza nostálgica aparentemente sem explicação. Em meio a isso, uma onda de natimortos do sexo masculino intriga não apenas a sociedade, mas a comunidade científica. É em meio a esses acontecimentos que a jovem moça descobrirá o motivo da aflição que tanto a incomoda naquele mundo evoluído e, ao mesmo tempo, tão desolado. Surpresas a aguardam pelo caminho.
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Publicado por Jamila Mafra em 02/11/2018 às 14h31
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02/11/2018 14h15
O Passageiro das Estrelas (Parte I) - Ficção Científica - Romance

O Passageiro das Estrelas, versão completa já disponível na Amazon:
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Brianna era acostumada com sua vida reclusa, sem muitas novidades, mas não imaginava que isso era apenas o alicerce para que uma avalanche de tragédias pessoais se estabelecesse. A vida da adolescente parece virar de cabeça para baixo quando ela recebe duas das notícias mais chocantes de sua vida. Imersa em um profundo desalento, Brianna mal podia imaginar o que o universo lhe reservava.

Em um acontecimento completamente atípico em sua vida, um astronauta do ano 3000 acaba caindo com sua nave espacial por engano na Terra, justamente ao lado de Brianna, em uma noite de céu estrelado, em uma praia solitária. Os dois se conhecem e, a partir de então, algo completamente excepcional dará novos rumos às suas vidas.

Juntos Brianna e Agon vivem grandes experiências na Terra, descobrem o amor, mas precisam enfrentar obstáculos a princípio intransponíveis. O passageiro das estrelas encontrará muitas verdades onde menos imaginava e sua amada Brianna sentirá que pertence para sempre ao infinito do universo.

Parte I

BRIANNA

Brianna era moça séria, calada e sem amigos. Com os seus dezessete anos ela sentia dentro de si uma angústia e solidão inexplicáveis. Era um vazio sem sentido, ou talvez esse sentido fosse apenas existencial.
E por esse sentimento que a razão é incapaz de explicar, Brianna era uma garota incompreendida pelas pessoas ao seu redor. Nos primeiros anos de sua adolescência chegaram a lhe sugerir, os amigos de seus pais, um psiquiatra. Ela era filha única, o que aumentava ainda mais sua condição solitária. E ela pensava consigo mesmo: “Ninguém mais nesse mundo pode ser diferente que já é chamado de louco!”. Mas bem no fundo de sua consciência a opinião dos outros não lhe servia pra nada.
A vida não poderia ter sido mais irônica e cruel com essa moça. Algo que mudaria a sua vida para sempre estava prestes a acontecer.
Sábado à tarde ela estava sozinha em casa, apenas na companhia de sua empregada Cristina, seus queridos pais haviam feito uma rápida viagem de fim de semana à casa da tia Susan, no estado vizinho. Brianna não foi nessa viagem porque, como já dito, ela não era dada ao convívio com as pessoas, nem mesmo com seus familiares.
O telefone tocou. Cristina atendeu, e a notícia não poderia ser pior.
Lágrimas de dor correram pelos olhos de Brianna naquele momento de mais pura amargura. Cristina não tinha forças pra dizer mais nada. O telefone permaneceu caído no chão, enquanto as duas, ali naquela cozinha, não tiveram alternativa a não ser se abraçarem e partilhar da mesma dor.
Qualquer um que visse essa cena estaria curioso pra saber o que aconteceu de tão pavoroso.
Os pais de Brianna voltavam pra casa quando um motorista bêbado entrou na contramão e se chocou contra o carro deles. Os três morreram, as vítimas e o criminoso.
Agora essa moça já desiludida com o seu destino era uma órfã sem vontade de viver.
Aparentemente os acontecimentos já haviam sido muito cruéis para essa pobre órfã. No entanto, a vida dela mesmo parecia fadada ao fracasso. Acredite quem quiser, alguns meses depois da morte de seus pais, ela começou a sentir-se muito mal.
No início de tudo suspeitou-se de uma depressão profunda causada provavelmente pela perda dos pais, suspeita essa levantada pelos próprios familiares, mas depois as coisas pioraram cada vez mais.
Sua fraqueza se tornou intensa e os desmaios constantes. Até que sem mais escolhas sua nova mãe e tutora Cristina levou-a ao médico. Os exames foram muitos. E a aflição ocasionada pela espera da verdade também.

 
ANGÚSTIA
No consultório médico os olhos de Cristina e Brianna se voltaram atentos para a face do doutor que analisava minuciosamente o resultado dos exames. Ao levantar a cabeça ele olhou profundamente nos olhos da paciente.
— Então, doutor Lynn, o que eu tenho? Qual é a minha doença? – A paciente questionou-o.
A resposta daquele médico era apavorante. Suas palavras foram uma facada intensa no coração da jovem e da mulher que estavam em seu consultório, e como se repetisse a cena do dia do acidente as duas novamente se abraçaram.
Naquele instante de agonia não menos intensa do que outrora Brianna pôde sentir outra vez o afeto maternal, só que dessa vez vindo daquela que um dia foi apenas sua empregada.
Leucemia era o diagnóstico! Não poderia haver doença mais trivial e clichê mais real para a vida de uma pessoa quanto este.
Os primeiros meses de quimioterapia foram dolorosos. E com a queda de seus cabelos ela passou a usar um lenço na cabeça. A beleza de seus olhos verdes não foi capaz de ocultar a amargura transparente em sua face. Cristina lhe dava todo apoio e amor verdadeiros. Seus familiares também lhe prestavam alguma ajuda e aos poucos Brianna passou a sentir o quanto era bom ter consigo as pessoas ao seu redor.
Durante um período de pausa nas quimioterapias ela sugeriu:
— Cristina, pensei muito e decidi passar um tempo na casa de praia, até a próxima fase do tratamento. Acredito que uns dias perto da natureza me fará bem!
— Mas é claro! Uns dias na casa de praia lhe fará muito bem. Seguindo todas as recomendações e cuidados médicos isso será ótimo! Podemos ir amanhã mesmo. O que acha? – Ela concordou.
— Sim, podemos ir amanhã – disse Brianna, sorrindo como raramente fazia naquele período.
Ela herdou a casa de praia de seus pais. Era uma casa linda. Mais adiante havia uma estrada que dava acesso às rodovias do país. Um detalhe peculiar, sua casa era a única naquele espaço de quinhentos metros, mais distante havia outras casas, também uma longe da outra. Aquela praia era mesmo paradisíaca e deserta, recebendo turistas apenas no verão. E naquele inverno ela estava vazia e sossegada, livre para Brianna contemplar a sua paz.
Cristina e Brianna chegaram tranquilas na casa de praia. Cristina dirigia muito bem, aprendeu depois de ganhar a tutela da jovem órfã. E isso também devido à necessidade de estar sempre a levando ao médico.
Não fosse pela sua doença e pela tristeza ainda presente causada pela morte de seus pais, Brianna estaria em um verdadeiro estado de paraíso. Ela passava horas de suas noites sentada na areia daquela praia meditando sobre sua vida e sobre quais seriam talvez seus planos para o futuro.
Às vezes permanecia lá até de madrugada. Sozinha em seus pensamentos, ela sentia a brisa e o barulho das ondas do mar como se fossem uma canção para acalmar e relaxar seus ouvidos. Ali naquelas noites contemplando as estrelas no céu sobre o oceano se sentia menos solitária do que quando estava com qualquer outra pessoa. As estrelas eram sua melhor companhia.

 
NOITE NA PRAIA
Em uma daquelas noites sentada à beira-mar Brianna conversava consigo mesmo em pensamento e se perguntava diante de toda aquela paisagem como era possível existir toda aquela beleza do universo em contraste com as farpas ardentes e pontiagudas que destroem a alma dos seres mortais. No caso dela essas farpas eram a doença e a morte. E a crucial curiosidade que mais cedo ou mais tarde domina a mente de todo ser humano se apossou de sua alma, então mais uma vez ela se questionou: “O que realmente existe além de todo o universo?”.
Ao mesmo tempo em que desejava saber a resposta, ela percebia o quanto era pequena a sua condição, pois de que adiantaria ter a resposta para essa sua pergunta se ela nem ao menos sabia qual era e se realmente alcançaria a cura eficaz para a sua doença?
Muitas vezes percebemos que é no momento mais improvável e no lugar mais imprevisto que as grandes coisas acontecem. E foi exatamente em certa hora da madrugada, enquanto Brianna contemplava o mar e as estrelas que ela viu um feixe de luz vindo do céu e ouviu um estrondo de algo que caiu bem no meio da areia.
De fato, ela não fazia a menor ideia do que era aquilo.
Um pouco assustada, mas sem tanto medo ela se aproximou do objeto caído no meio da areia. Ao redor dele havia fumaça, pelo silêncio que permanecia ao redor depois da queda parecia que ninguém mais havia escutado aquilo a não ser ela mesma.
Aos poucos a fumaça se dissipava. E os olhos verdes de Brianna arregalaram de espanto ao ver o que estava diante dela. Chegou a supor que fosse apenas um sonho.
Bem diante daquela moça que ainda pouco questionara a existência havia algo que sem dúvida era uma nave espacial. Não era grande, media mais ou menos oito metros de diâmetro, era circular, prateada e ao seu lado havia um homem caído. Ele estava vestido como um astronauta, sua roupa era um misto de branco e prateado, ele parecia estar desmaiado devido à queda que sofreu. Seu capacete era perfeitamente compatível com o formato da cabeça, a fronte era um tipo de vidro transparente, assim era possível ver o seu rosto. Luvas e botas também faziam parte de sua vestimenta.
Ainda sem saber direito o que faria Brianna se ajoelhou diante dele e o observou. Em um ímpeto de coragem, mas também nem tão segura, retirou o capacete dele. Depois de vislumbrar seu rosto exclamou:
— Oh céus! É um homem! Ele caiu com a nave aqui na praia! Mas o que significa isso?
Em perfeita confusão mental Brianna não soube o que fazer, permaneceu apenas observando aquele ser e aquela máquina voadora. Depois de alguns minutos o mais intrigante aconteceu, aquele homem aos poucos foi recobrando a consciência até que abriu os olhos. Ele pôde sentir sua cabeça sem o capacete, encostada na areia.
— Você está bem? – Ela perguntou.
O homem por sua vez ergueu-se, e já estando sentado questionou observando tudo ao redor:
— Onde estou?
— Oh! Então você me entende!
— Sim, entendo!
— Achei que fosse um astronauta de alguma agência espacial americana ou quem sabe de outro mundo, temi que não compreendesse meu idioma.
— Sim, mas onde estou? – Estava confuso.
— Onde deveria estar, astronauta? Bom, aqui, como pode ver, é uma praia. Você está no litoral do país – ela respondeu.
— Oh não! Caí no lugar errado! Eu quero saber que planeta é esse? – Ele questionou dessa vez mais assustado.
— Ora! Mas o que está me perguntando? Aqui é o planeta Terra. Que outro planeta poderia ser? É o nosso planeta Terra! E pra ser mais exata ano 2004 d.C.!
— Isso não pode ser verdade, acabo de sair do planeta Terra e o ano lá era o 3 mil! Ou melhor, pode ser sim. Eu bem sei disso. Acasos do multiverso.
— Bom, acho que não estamos nos entendendo, você deve ter perdido a memória quando bateu a cabeça. Mas enfim quem é você, de onde veio e pra onde pretendia ir?
— Meu nome é Agon. Tenho quase certeza que venho de outro planeta Terra, mas do ano 3 mil depois do grande sacrifício!
— Que história é essa de “depois do grande sacrifício”? Você quis dizer depois de Cristo? Espera aí, está me dizendo que você é um extraterrestre? Mal posso acreditar no que está acontecendo!
Agon entrou na cabine da nave para constatar o estrago, a porta estava aberta, continuaram o diálogo depois que ele verificou tudo:
— Eu saí de meu planeta para uma missão espacial em um planeta não tão longe do meu quando de repente houve um incidente espaço-temporal, perdi o controle da nave e caí aqui. Com certeza devido à alta velocidade devo ter entrado em um buraco de minhoca ou então rompido a barreira dimensional que separa os universos! – Agon explicou a ela.
— Você fala isso com tanta naturalidade como se isso fosse comum acontecer! Não está assustado? – Ela exclamou espantada.
— Não, garota, eu não estou assustado nem um pouco! Até porque esse é um fato óbvio. Diante da existência tudo é possível. Essa é a primeira verdade que nós astronautas aprendemos em meu planeta. Porém devemos estar sempre atentos, pois embora nossos planetas sejam muito semelhantes são planetas distintos, cada um com a sua própria história, tempo e pessoas – explicou-lhe.
— E agora, o que pretende fazer?
— Agora preciso de sorte, e de tempo para consertar essa nave. Precisarei de sua ajuda. Qual é o seu nome?
— Meu nome é Brianna. E ficarei feliz em ajudá-lo. É incrível, se veio de outro planeta, como pode falarmos o mesmo idioma?
— Uma simples coincidência que pode ser perfeitamente explicada pela probabilidade matemática existente no multiverso.
— Está certo! Precisamos esconder essa nave para que ninguém a veja. Mais adiante está a minha casa, onde há um galpão enorme, podemos guardar a nave lá. Espero que você consiga conduzi-la até lá sozinho, pois estou muito fraca devido a uma terrível doença – ela justificou-se.
— Não se preocupe, eu posso conduzir a nave sozinho, ela não parou completamente de funcionar, pelo que verifiquei apenas não atinge mais a velocidade da luz. Se eu não consertar isso não volto pra casa.  – Tranquilizou-a.
Aquela madrugada foi longa. Brianna contou a Agon tudo o que aconteceu em sua vida até aquele momento. Ali mesmo ela pensou em uma desculpa convincente para que Cristina permitisse que Agon ficasse na casa da praia por alguns dias. A jovem diria que ele era um amigo que ela conhece no hospital e que lhe ofereceu muita amizade.
Cristina só estranharia talvez o fato de Brianna nunca ter falado sobre esse tal amigo.
Mas antes de enfim os dois se dirigirem até os quartos para terem o sagrado descanso, já dentro do galpão, curiosa Brianna questionou o astronauta a respeito da nave na velocidade da luz, como seria esse tipo de locomoção? Com um belo sorriso ele respondeu:
— O segredo da nave na velocidade da luz está no motor, veja com seus próprios olhos.
— Parece um cilindro!
— Sim, é apenas um pequeno cilindro. E nele está concentrada energia atômica. Os átomos armazenados aqui provêm de elementos químicos feitos nos laboratórios lá no ano 3 mil. O próprio motor renova essa energia de modo que ela não se esgota por um bom tempo.
— Isso é incrível! – Exclamou fascinada.
Ela fechou o galpão e guardou a chave consigo. Dormiu o máximo que pôde, o astronauta dormiu no quarto de hóspedes, e quando ela acordou no amanhecer de mais um novo dia chegou a pensar que tudo fosse apenas um sonho.
 Mas ao entrar no quarto de hóspedes lá estava ele, Agon! Não foi muito fácil explicar tudo à Cristina, que acabou concordando em hospedar Agon ali, porém apenas por alguns dias. Por sorte lá havia algumas roupas que foram de seu pai, e ela emprestou-as ao astronauta que passava os dias na garagem a tentar consertar sua espaçonave.

 
APROXIMAÇÃO
 
 
Sempre aos fins de tarde Brianna e Agon conversavam sentada a beira-mar observando o pôr do sol. Certo dia a conversa girou em torno da doença dela.
O astronauta fez uma revelação:
— No meu planeta nossa ciência e tecnologia chegaram ao máximo da evolução. Sua doença está em nossa lista de enfermidades extintas.
— Extinta?
— Sim, lá não só descobrimos a cura para todas as doenças que afligiam minha civilização, e fomos muito além disso. Descobrimos a vacina que previne perfeitamente todas elas, sejam essas doenças causadas por microrganismos ou pelo próprio corpo, tais quais os tumores. Não existem pessoas doentes em meu mundo. Lá todos só morrem de velhice que passa dos duzentos anos. Extinguimos também os defeitos genéticos – ele salientou.
— E qual é a cura para a minha doença?
— A cura ainda não se encontra aqui onde você está. Existe uma lei em meu mundo a qual me proíbe de revelar quaisquer informações sobre o meu planeta a alienígenas desconhecidos, posso ser punido apenas por estar conversando com você agora.
— Está me chamando de extraterrestre?
— Sim, pra mim, você é uma alienígena!
— Entendo. Mas me diga pelo que você já viu aqui, o que nossos planetas têm em comum?
— Um dia lá também fomos cruéis e destruidores da nossa natureza, não tanto quanto vocês aqui. Já descobri que planeta é este. Era um lugar cheio de males e homicídios. Mas graças a uma grande transformação ocorrida agora vivemos em paz! – O astronauta esclareceu.
— E que transformação foi essa?
— Fiz um juramento de não revelar nada caso estivesse em contato com extraterrestres desconhecidos. Não posso lhe dizer os detalhes nem quem operou essa transformação. Um dia você saberá.
— Mas não sou desconhecida, você já me conhece já há alguns dias. Todas as tardes ficamos juntos aqui nessa praia, conversamos.
— Quando falo desconhecidos digo no sentido da jurisdição interplanetária.
— Entendo. – Ela estava desconsolada.
— Me responda, Brianna, não acha estranho e não sente medo em estar diante de um ser estranho de outro mundo?
— Não! Aprendi a aceitar com calma todos os acontecimentos da vida sejam eles bons ou maus. E ter conhecido você, Agon, mesmo que seja um ser de outro mundo, foi muito bom pra mim – ela afirmou sorrindo.

 
A DECISÃO
 
Duas semanas depois de tudo isso ter acontecido enfim chegou a hora de Brianna voltar pra cidade e continuar seu tratamento. Com a nave consertada também chegou a hora de Agon partir rumo ao infinito em busca de seu mundo.
No galpão acontecia a despedida:
— Enfim, você e eu partiremos, cada um para um lado diferente. Agon, saiba que não importa há quantos anos-luz você esteja distante daqui. Eu sempre me lembrarei de você. Por que está me olhando assim? – Ela disse com os olhos lacrimejantes.
— Brianna, eu decidi que não vou embora, não voltarei para o meu mundo. Quero continuar aqui e acompanhar você onde quer você que vá!
— Agon, não diga uma loucura dessas! Você deve voltar para o seu lugar. Volte para o seu mundo!
— Não conheci meu mundo na época da destruição, quando nasci ele já havia passado pela grande transformação. Quero continuar aqui e sentir a mesma dor que você está sentindo. – Ele insistiu pra ficar.
— Você não pode estar falando sério. Pense bem, onde você vai? Viver do que vai trabalhar? Nem documentos terráqueos tem! Aqui precisamos de dinheiro pra viver, infelizmente aqui ainda não vivemos no comunismo ideal como em seu mundo onde a tecnologia chegou ao máximo e todos tem acesso a tudo que existe. Acho que você enlouqueceu!
— Pensei que eu poderia ter sua ajuda pra estabelecer minha vida nesse mundo!
— Não é isso, mas é que se foi lá que você nasceu é lá que você tem que ficar. Não podemos lutar contra a natureza das coisas.
— Mesmo que você não me ajude eu continuarei aqui, Brianna! – Ele afirmou convicto de sua decisão.
Por uns instantes eles apenas se olharam e ela não resistiu, beijaram-se pela primeira vez, já haviam trocado carinhos antes, mas esse foi o primeiro beijo. Se era assim que ele queria, o que ela poderia fazer pra evitar? Absolutamente nada!
Depois de muita conversa com Cristina, a jovem decidida Brianna convenceu-a de que Agon seria um ótimo motorista pra elas. E por fim Cristina o contratou. Ele estava indo bem em sua nova vida de terráqueo. Possuir identidade e documentos falsificados não é um bom exemplo pra ninguém, mas nesse caso, se tratando de um extraterrestre que pretende ser reconhecido tal qual uma pessoa qualquer é perfeitamente desculpável. Afinal se ele não pertence a este mundo não poderia estar sujeito às leis desse mundo.
A presença de Agon na vida de Brianna não foi somente importante no sentido da amizade, foi mais que isso, ele ajudou a cuidar dela nos dias mais difíceis da doença que tanto atormentava a alma daquela moça tão oprimida. Ela já estava na terceira fase do tratamento, porém os resultados não eram muito animadores. Ainda assim estava estável e todos aguardavam o que seria dali em diante.
E a vida de Brianna sofreu mais um grande impacto. A essa altura dos acontecimentos ela já completara os seus dezoito anos e assim não precisava mais de tutora nem de nada disso. Agora ela era responsável por seus próprios atos. Mas Cristina não foi apenas sua tutora, pra ela Cristina tinha sido uma verdadeira mãe.
E essa verdadeira mãe começou a ter outros planos e decidiu seguir seu próprio caminho, não que sua intenção fosse abandonar a pobre garota. Isso não! Mas é que Cristina decidiu ter sua própria vida e agora tinha Agon pra cuidar de Brianna.
Cristina foi pedida em casamento já nos seus quase quarenta anos de solteirice. E pra variar seu futuro marido não aceitava a presença de Brianna em suas vidas. Até que ele tinha certa razão, pois ela já era maior e não necessitava legalmente de nenhuma pessoa responsável. E além de tudo ele tinha todo direito de formar uma família em paz e sem nenhum infortúnio advindo do alheio.
A decisão foi difícil e dolorosa para ambas as partes. Mas em toda a sua maturidade adquirida através do sofrimento Brianna libertou Cristina de todo o pesar que lhe sobreviria à alma por ter de abandoná-la.
— Vá em paz, Cristina! Você tem todo direito de ser feliz com o seu marido. Eu vou ficar bem. Agon estará comigo. E quando eu estiver curada vou lhe visitar, mesmo que seja na China! – disse Brianna demonstrando um falso entusiasmo e com um sorriso forçado.
Ela disse isso porque Cristina iria ir embora para o outro lado do país. Seu futuro marido era um empresário que viajava muito. Embora tenha demonstrado alegria pela nova conquista de sua ex-autora, para Brianna sua sorte não poderia ter sido mais cruel!
Agora lhe restou apenas a companhia de um extraterrestre que na opinião dela era louco! De vez em quando um ou outro parente lhe mandava flores. Ao telefone Brianna sempre respondia “estou bem”, tudo disfarce! Na verdade, ela não queria mais dar trabalho pra ninguém e até chegou a ponto de desistir de seu tratamento pra morrer mais rápido.
Se não fosse por Agon ter cuidado e conversado muito com ela, teria muito bem feito isso. Em sua consciência de jovem mulher ela reconhecia que já não mais vivia e sim sobrevivia.
As coisas nunca são do jeito que imaginamos, de repente vem o inesperado e destrói os nossos planos assim como as águas do mar destroem os castelos de areia.

CONTINUA... 

 


Publicado por Jamila Mafra em 02/11/2018 às 14h15
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