Jamila Mafra
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26/04/2018 13h30
Resenha Nacional do Livro Aquela Noite Em Auschwitz

Queridos leitores, o blog Leituras da Mary fez uma resenha linda do meu livro Aquela Noite em Auschwitz. Confiram o link abaixo:

https://leiturasdamary.blogspot.com.br/2018/01/resenha-nacional-aquela-noite-em.html

O corpo dela tremeu todo ao deparar-se com aquela imagem pavorosa. Imagem essa que revelou toda a insanidade do governo de seu país. Lindie Brückner caiu de joelhos no chão, parecia ter perdido completamente suas forças. Desabou em lágrimas ao testemunhar o que jamais seria apagado de sua memória.
Aquela garota membro da juventude hitlerista, filha do general, a garota que não precisa sofrer, vê de perto as maldades praticadas pelos líderes nazistas do Terceiro Reich e não aceita os absurdos. Em meio a uma guerra injusta, iniciada por uma causa perdida, suas maiores batalhas serão enfrentar a dor de não poder impedir que inocentes fossem mortos e ser incapaz de escolher entre dois grandes amores.
Ela tem seu coração dividido entre duas paixões inesquecíveis, uma delas é Joseph Kaiser, um fiel soldado berlinense, muito apaixonado por Lindie, e Steve Heinrich, professor de História da Filosofia Grega na Universidade de Berlim, intelectual dedicado ao trabalho, que também teve seu coração conquistado pela beleza e inteligência da jovem. Entre conflitos amorosos e ameaças de bombardeios, Lindie Brückner terá que escolher, superar sua angústia, enfrentar seus medos, encontrar a felicidade.


Publicado por Jamila Mafra em 26/04/2018 às 13h30
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26/04/2018 12h02
O MISTÉRIO DAS ESTRELAS - FICÇÃO CIENTÍFICA - CONTATO ALIENÍGENA-VIAGEM NO MULTIVERSO

Todos os direitos reservados.
EM BREVE VERSÃO COMPLETA NA AMAZON.

Brianna era moça séria, calada e sem amigos. Com os seus dezessete anos ela sentia dentro de si uma angústia e solidão inexplicáveis. Era um vazio sem sentido, ou talvez esse sentido fosse apenas existencial. 
E por esse sentimento que a razão é incapaz de explicar, Brianna era uma garota incompreendida pelas pessoas ao seu redor. Nos primeiros anos de sua adolescência chegaram a lhe sugerir, os amigos de seus pais, um psiquiatra. Ela era filha única, o que aumentava ainda mais sua condição solitária. E ela pensava consigo mesmo: “Ninguém mais nesse mundo pode ser diferente que já é chamado de louco!”. Mas bem no fundo de sua consciência a opinião dos outros não lhe servia pra nada.
A vida não poderia ter sido mais irônica e cruel com essa moça. Algo que mudaria a sua vida para sempre estava prestes a acontecer.
Sábado à tarde ela estava sozinha em casa, apenas na companhia de sua empregada Cristina, seus queridos pais haviam feito uma rápida viagem de fim de semana à casa da tia Susan, no estado vizinho. Brianna não foi nessa viagem porque, como já  dito, ela não era dada ao convívio com as pessoas, nem mesmo com seus familiares. 
O telefone tocou. Cristina atendeu, e a notícia não poderia ser pior.
Lágrimas de dor correram pelos olhos de Brianna naquele momento de mais pura amargura. Cristina não tinha forças pra dizer mais nada. O telefone permaneceu caído no chão, enquanto as duas, ali naquela cozinha, não tiveram alternativa a não ser se abraçarem e partilhar da mesma dor. 
Qualquer um que visse essa cena estaria curioso pra saber o que aconteceu de tão pavoroso. 
Os pais de Brianna voltavam pra casa quando um motorista bêbado entrou na contramão e se chocou contra o carro deles. Os três morre¬ram, as vítimas e o criminoso.
Agora essa moça já desiludida com o seu destino era uma órfã sem vontade de viver.
Aparentemente os acontecimentos já haviam sido muito cruéis para essa pobre órfã. No entanto, a vida dela mesmo parecia fadada ao fracasso. Acredite quem quiser, alguns meses depois da morte de seus pais, ela começou a sentir-se muito mal. 
No início de tudo suspeitou-se de uma depressão pro¬funda causada provavelmente pela perda dos pais, suspeita essa levantada pelos próprios familiares, mas depois as coisas pioraram cada vez mais. 
Sua fraqueza se tornou intensa e os desmaios constantes. Até que sem mais escolhas sua nova mãe e tutora Cristina levou-a ao médico. Os exames foram muitos. E a aflição ocasionada pela espera da verdade também.

No consultório médico os olhos de Cristina e Brianna se voltaram atentos para a face do doutor que analisava minu¬ciosamente o resultado dos exames. Ao levantar a cabeça ele olhou profundamente nos olhos da paciente.
– Então, doutor Lynn, o que eu tenho? Qual é a minha doença? – a paciente questionou-o.
A resposta daquele médico era apavoran¬te. Suas palavras foram uma facada intensa no coração da jovem e da mulher que estavam em seu consul-tório, e como se repetisse a cena do dia do acidente as duas novamente se abraçaram. 
Naquele instante de agonia não menos intensa do que outrora Brianna pôde sentir outra vez o afeto maternal, só que dessa vez vindo daquela que um dia foi apenas sua empregada.
Leucemia era o diagnóstico! Não poderia haver doença mais trivial e clichê mais real para a vida de uma pessoa quanto este.
Os primeiros meses de quimioterapia foram dolorosos. E com a queda de seus cabelos ela passou a usar um lenço na cabeça. A beleza de seus olhos verdes não foi capaz de ocultar a amargura transparente em sua face. Cristina lhe dava todo apoio e amor verdadeiros. Seus familiares também lhe pres¬tavam alguma ajuda e aos poucos Brianna passou a sentir o quanto era bom ter consigo as pessoas ao seu redor.
Durante um período de pausa nas quimioterapias ela sugeriu:
– Cristina, pensei muito e decidi passar um tempo na casa de praia, até a próxima fase do tratamento. Acredito que uns dias perto da natureza me fará bem!
– Mas é claro! Uns dias na casa de praia lhe fará muito bem. Seguindo todas as recomendações e cuidados médicos isso será ótimo! Podemos ir amanhã mesmo. O que acha? – ela concordou.
– Sim, podemos ir manhã – disse Brianna, sorrindo como raramente fazia naquele período.
Ela herdou a casa de praia de seus pais. Era uma casa linda. Mais adiante havia uma estrada que dava acesso às rodovias do país. Um detalhe peculiar, sua casa era a única naquele espaço de quinhentos metros, mais distante havia outras casas, também uma longe da outra. Aquela praia era mesmo paradisíaca e deserta, recebendo turistas apenas no verão. E naquele inverno ela estava vazia e sossegada, livre para Brianna contemplar a sua paz.
Cristina e Brianna chegaram tranquilas na casa de praia. Cristina dirigia muito bem, aprendeu depois de ganhar a tutela da jovem órfã. E isso também devido à necessidade de estar sempre a levando ao médico. 
Não fosse pela sua doença e pela tristeza ainda presente causada pela morte de seus pais, Brianna estaria em um ver¬dadeiro estado de paraíso. Ela passava horas de suas noites sentada na areia daquela praia meditando sobre sua vida e sobre quais seriam talvez seus planos para o futuro. 
Às vezes per¬manecia lá até de madrugada. Sozinha em seus pensamen¬tos, ela sentia a brisa e o barulho das ondas do mar como se fossem uma canção para acalmar e relaxar seus ouvidos. Ali naquelas noites contemplando as estrelas no céu sobre o oceano se sentia menos solitária do que quando estava com qualquer outra pessoa. As estrelas eram sua melhor companhia. 

Em uma daquelas noites sentada à beira-mar Brianna conversava consigo mesmo em pensamento e se perguntava diante de toda aquela paisagem como era possível existir toda aquela beleza do universo em contraste com as farpas arden¬tes e pontiagudas que destroem a alma dos seres mortais. No caso dela essas farpas eram a doença e a morte. E a crucial curiosidade que mais cedo ou mais tarde domina a mente de todo ser humano se apossou de sua alma, então mais uma vez ela se questionou: “O que realmente existe além de todo o universo?”.
Ao mesmo tempo em que desejava saber a resposta, ela percebia o quanto era pequena a sua condição, pois de que adiantaria ter a resposta para essa sua pergunta se ela nem ao menos sabia qual era e se realmente alcançaria a cura eficaz para a sua doença?
Muitas vezes percebemos que é no momento mais im¬provável e no lugar mais imprevisto que as grandes coisas acontecem. E foi exatamente em certa hora da madru¬gada, enquanto Brianna contemplava o mar e as estrelas que ela viu um feixe de luz vindo do céu e ouviu um estrondo de algo que caiu bem no meio da areia.
De fato ela não fazia a menor ideia do que era aquilo. 
Um pouco assustada, mas sem tanto medo ela se aproximou do objeto caído no meio da areia. Ao redor dele havia fumaça, pelo silêncio que permanecia ao redor depois da queda parecia que ninguém mais havia escutado aquilo a não ser ela mesma.
Aos poucos a fumaça se dissipava. E os olhos verdes de Brianna arregalaram de espanto ao ver o que estava diante dela. Chegou a supor que fosse apenas um sonho.
Bem diante daquela moça que ainda pouco questionara a existência havia algo que sem dúvida era uma nave espacial. Não era grande, media mais ou menos oito metros de diâmetro, era circular, prateada e ao seu lado havia um homem caído. Ele estava vestido como um astronauta, sua roupa era um misto de branco e prateado, ele parecia estar desmaiado devido à queda que sofreu. Seu capacete era perfeitamente compatível com o formato da cabeça, a fronte era um tipo de vidro transparente, assim era possível ver o seu rosto. Luvas e botas também faziam parte de sua vestimenta.
Ainda sem saber direito o que faria Brianna se ajoelhou diante dele e o observou. Em um ímpeto de coragem, mas também nem tão segura, retirou o capacete dele. Depois de vislumbrar seu rosto exclamou:
– Oh céus! É um homem! Ele caiu com a nave aqui na praia! Mas o que significa isso?
Em perfeita confusão mental Brianna não soube o que fazer, permaneceu apenas observando aquele ser e aquela máquina voadora. Depois de alguns minutos o mais intrigante aconteceu, aquele homem aos poucos foi recobrando a consciência até que abriu os olhos. Ele pôde sentir sua cabe¬ça sem o capacete, encostada na areia.
– Você está bem? – ela perguntou.
O homem por sua vez ergueu-se, e já estando sentado questionou observando tudo ao redor:
– Onde estou? 
– Oh! Então você me entende!
– Sim, entendo!
– Achei que fosse um astronauta de alguma agência espacial americana ou quem sabe de outro mundo, temi que não compreendesse meu idioma.
– Sim, mas onde estou? – insistiu.
– Onde deveria estar, astronauta? Bom, aqui, como pode ver, é uma praia. Você está no litoral do país – ela respondeu.
– Oh não! Caí no lugar errado! Eu quero saber que planeta é esse? – ele questionou dessa vez mais assustado.
– Ora! Mas o que está me perguntando? Aqui é o planeta Terra. Que outro planeta poderia ser? É o nosso planeta Terra! E pra ser mais exata ano 2004 d.C!
– Isso não pode ser verdade, pois acabo de sair do planeta Terra e o ano lá era o 3 mil!
– Bom, acho que não estamos nos entendendo, você deve ter perdido a memória quando bateu a cabeça. Mas en¬fim quem é você, de onde veio e pra onde pretendia ir?
– Meu nome é Agon. E pelo que percebo venho de outro planeta Terra do ano 3 mil depois do grande sacrifício!
– Que história é essa de “depois do grande sacrifício”? Você quis dizer depois de Cristo? Espera aí, está me dizendo que você é um extraterrestre? Mal posso acreditar no que está acontecendo!a
Agon entrou na cabine da nave para constatar o estrago, a porta estava aberta, continuaram o diálogo depois que ele verificou tudo: 
– Eu saí de meu planeta para uma missão espacial em um planeta não tão longe do meu quando de repente houve um incidente espaço-temporal, perdi o controle da nave e caí aqui. Com certeza devido à alta velocidade devo ter entrado em um buraco de minhoca ou então rompido a barreira dimensional que separa os universos! – Agon explicou a ela. 
– Você fala isso com tanta naturalidade como se isso fosse comum acontecer! Não está assustado? – ela exclamou espantada.
– Não, garota, eu não estou assustado nem um pouco! Até porque esse é um fato óbvio. Diante da existência tudo é possível. Essa é a primeira verdade que nós astronautas aprendemos em meu planeta. Porém devemos estar sempre atentos, pois embora nossos planetas sejam muito semelhantes são planetas distintos, cada um com a sua própria história, tempo e pessoas – explicou-lhe.
– E agora, o que pretende fazer?
– Agora preciso de sorte, e de tempo para consertar essa nave. Precisarei de sua ajuda. Qual é o seu nome?
– Meu nome é Brianna. E ficarei feliz em ajudá-lo. É incrível, se veio de outro planeta, como pode falarmos o mesmo idioma?
– Uma simples coincidência que pode ser perfeitamente explicada pela probabilidade matemática existente no multiverso.
– Está certo! Precisamos esconder essa nave para que ninguém a veja. Mais adiante está a minha casa, onde há um galpão enorme, podemos guardar a nave lá. Espero que você consiga conduzi-la até lá sozinho, pois estou muito fraca devido a uma terrível doença – ela justificou-se.
– Não se preocupe, eu posso conduzir a nave sozinho, ela não parou completamente de funcionar, pelo que verifiquei apenas não atinge mais a velocidade da luz. Se eu não consertar isso não volto pra casa.  – tranquilizou-a.
Aquela madrugada foi longa. Brianna contou a Agon tudo o que aconteceu em sua vida até aquele momento. Ali mesmo ela pensou em uma desculpa convincente para que Cris¬tina permitisse que Agon ficasse na casa da praia por alguns dias. A jovem diria que ele era um amigo que ela conhece no hospital e que lhe ofereceu muita amizade. 
Cristina só estranharia talvez o fato de Brianna nunca ter falado sobre esse tal amigo.
Mas antes de enfim os dois se dirigirem até os quartos para terem o sagrado descanso, já dentro do galpão, curiosa Brianna questionou o astronauta a respeito da nave na velocidade da luz, como seria esse tipo de locomoção? Com um belo sorriso ele respondeu:
– O segredo da nave na velocidade da luz está no motor, veja com seus próprios olhos.
– Parece um cilindro!
– Sim, é apenas um pequeno cilindro. E nele está concentrada energia atômica. Os átomos armazenados aqui provêm de elementos químicos feitos nos  laboratórios lá no ano 3 mil. O próprio motor renova essa energia de modo que ela não se esgota por um bom tempo. 
– Isso é incrível! – exclamou fascinada.
Ela fechou o galpão e guardou a chave consigo. Dormiu o máximo que pôde, o astronauta dormiu no quarto de hóspedes, e quando ela acordou no amanhecer de mais um novo dia chegou a pensar que tudo fosse apenas um sonho.
 Mas ao entrar no quarto de hóspedes lá estava ele, Agon! Não foi muito fácil explicar tudo à Cristina, que acabou concor¬dando em hospedar Agon ali, porém apenas por alguns dias. Por sorte lá havia algumas roupas que foram de seu pai, e ela emprestou-as ao astronauta que passava os dias na garagem a tentar consertar sua espaçonave.

Sempre aos fins de tarde Brianna e Agon conversavam sentada a beira-mar observando o pôr do sol. Certo dia a conversa girou em torno da doença dela.
O astronauta fez uma revelação:
– No meu planeta nossa ciência e tecnologia chegaram ao máximo da evolução. Sua doença está em nossa lista de enfermidades extintas.
– Extinta?
– Sim, lá não só descobrimos a cura para todas as doen¬ças que afligiam minha civilização, como fomos muito além disso. Descobrimos a vacina que previne perfeitamente todas elas, sejam essas doenças causadas por micro-organismos ou pelo próprio corpo, tais quais os tumores. Não existem pessoas doentes em meu mundo. Lá as todos só morrem de velhice. Extinguimos também os defeitos genéticos – ele salientou.
– E qual é a cura para a minha doença?
– A cura ainda não se encontra aqui onde você está. Existe uma lei em meu mundo a qual me proíbe de revelar quaisquer informações sobre o meu planeta a alienígenas desconhecidos, posso ser punido apenas por estar conversando com você agora.
– Está me chamando de extraterrestre?
– Sim, pra mim, você é uma alienígena! 
– Entendo. Mas me diga pelo que você já viu aqui, o que nossos planetas têm em comum?
– Um dia lá também fomos cruéis e destruidores da nos¬sa natureza, era um lugar cheio de males e homicídios. Mas graças a uma grande transformação ocorrida agora vivemos em paz! – o astronauta esclareceu.
– E que transformação foi essa?
– Fiz um juramento de não revelar nada caso estivesse em contato com extraterrestres desconhecidos. Não posso lhe dizer os detalhes nem quem operou essa transformação. Um dia você saberá.
– Mas não sou desconhecida, você já me conhece já há alguns dias. Todas as tardes ficamos juntos aqui nessa praia, conversamos. 
– Quando falo desconhecidos digo no sentido da jurisdição interplanetária.
– Entendo – ela estava desconsolada.
– Me responda, Brianna, não acha estranho e não sente medo em estar diante de um ser estranho de outro mundo?
– Não! Aprendi a aceitar com calma todos os acontecimentos da vida sejam eles bons ou maus. E ter conhecido você, Agon, mesmo que seja um ser de outro mundo, foi muito bom pra mim – ela afirmou sorrindo.

Duas semanas depois de tudo isso ter acontecido enfim chegou a hora de Brianna voltar pra cidade e continuar seu tratamento. Com a nave consertada também chegou a hora de Agon partir rumo ao infinito em busca de seu mundo.
No galpão acontecia a despedida:
– Enfim, você e eu partiremos, cada um para um lado diferente. Agon, saiba que não importa há quantos anos-luz você esteja distante daqui. Eu sempre me lembrarei de você. Por que está me olhando assim? – ela disse com os olhos lacrimejantes. 
– Brianna, eu decidi que não vou embora, não voltarei para o meu mundo. Quero continuar aqui e acompanhar você onde quer você que vá! 
– Agon, não diga uma loucura dessas! Você deve voltar pra o seu lugar. Volte para o seu mundo!
– Não conheci meu mundo na época da destruição, quan¬do nasci ele já havia passado pela grande transformação. Quero continuar aqui e sentir a mesma dor que você está sentindo. – ele insistiu pra ficar. 
– Você não pode estar falando sério. Pense bem, onde você vai? Viver do que vai trabalhar? Nem documentos terrá¬queos tem! Aqui precisamos de dinheiro pra viver, infeliz¬mente aqui ainda não vivemos no comunismo ideal como em seu mundo onde a tecnologia chegou ao máximo e todos tem acesso a tudo que existe. Acho que você enlouqueceu!
– Pensei que eu poderia ter sua ajuda pra estabelecer minha vida nesse mundo!
– Não é isso, mas é que se foi lá que você nasceu é lá que você tem que ficar. Não podemos lutar contra a natureza das coisas.
– Mesmo que você não me ajude eu continuarei aqui, Brianna! – ele afirmou convicto de sua decisão.
Por uns instantes eles apenas se olharam e ela não resis¬tiu, beijaram-se pela primeira vez, já haviam trocado carinhos antes, mas esse foi o primeiro beijo. Se era assim que ele queria, o que ela poderia fazer pra evi¬tar? Absolutamente nada! 
Depois de muita conversa com Cristina, a jovem de¬cidida Brianna convenceu-a de que Agon seria um ótimo motorista pra elas. E por fim Cristina o contratou. Ele estava indo bem em sua nova vida de terráqueo. Possuir iden-tidade e documentos falsificados não é um bom exemplo pra ninguém, mas nesse caso, se tratando de um extraterrestre que pretende ser reconhecido tal qual uma pessoa qualquer é perfeitamente desculpável. Afinal se ele não pertence a este mundo não poderia estar sujeito às leis desse mundo.
A presença de Agon na vida de Brianna não foi somente importante no sentido da amizade, foi mais que isso, ele aju¬dou a cuidar dela nos dias mais difíceis da doença que tanto atormentava a alma daquela moça tão oprimida. Ela já estava na terceira fase do tratamento, porém os resultados não eram muito animadores. Ainda assim estava estável e todos aguar¬davam o que seria dali em diante. 
Foi incrível como com o passar dos meses o astronauta extraterrestre se adaptou à vida e aos problemas cotidianos da Terra. Ele sorriu e chorou com sua jovem amada toda vez que isso foi preciso. Na verdade seu amor por ela era cada vez maior. A espaçonave permaneceu guardada na garagem da casa de praia, Cristina jamais chegou a vê-la. Nunca desconfiou nem mesmo por um minuto que Agon fosse um extraterrestre. Ele era tão parecido com qualquer mortal desse mundo.
E a vida de Brianna sofreu mais um grande impacto. A essa altura dos acontecimentos ela já completara os seus de¬zoitos anos e assim não precisava mais de tutora nem de nada disso. Agora ela era responsável por seus próprios atos. Mas Cristina não foi apenas sua tutora, pra ela Cristina tinha sido uma verdadeira mãe. 
E essa verdadeira mãe começou a ter outros planos e decidiu seguir seu próprio caminho, não que sua intenção fosse abandonar a pobre garota. Isso não! Mas é que Cristina decidiu ter sua própria vida e agora tinha Agon pra cuidar de Brianna.
Cristina foi pedida em casamento já nos seus quase quarenta anos de solteirice. E pra variar seu futuro marido não aceitava a presença de Brianna em suas vidas. Até que ele tinha certa razão, pois ela já era maior e não necessitava legalmente de nenhuma pessoa responsável. E além de tudo ele tinha todo direito de formar uma família em paz e sem nenhum infortúnio advindo do alheio. 
A decisão foi difícil e dolorosa para ambas as partes. Mas em toda a sua maturidade adquirida através do sofrimento Brianna libertou Cristina de todo o pesar que lhe sobreviria à alma por ter de abandoná-la. 
– Vá em paz, Cristina! Você tem todo direito de ser feliz com o seu ma-rido. Eu vou ficar bem. Agon estará comigo. E quando eu estiver curada vou lhe visitar, mesmo que seja na China! – disse Brianna demonstrando um falso entusiasmo e com um sorriso forçado.
Ela disse isso porque Cristina iria ir embora para o outro lado do país. Seu futuro marido era um empresário que viajava muito. Embora tenha demonstrado alegria pela nova conquista de sua ex-tutora, para Brianna sua sorte não poderia ter sido mais cruel! 
Agora lhe restou apenas a companhia de um extraterrestre que na opinião dela era louco! De vez em quando um ou outro parente lhe mandava flores. Ao telefone Brianna sempre respondia “estou bem”, tudo disfarce! Na verdade ela não queria mais dar trabalho pra ninguém e até chegou a ponto de desistir de seu tratamento pra morrer mais rápido. Se não fosse por Agon ter cuidado e conversado muito com ela, teria muito bem feito isso. Em sua consciência de jovem mulher ela reconhecia que já não mais vivia e sim sobrevivia.
As coisas nunca são do jeito que imaginamos, de repente vem o inesperado e destrói os nossos planos assim como as águas do mar destroem os castelos de areia.

Brianna e Agon decidiram passar um fim de semana na casa de praia, ela estava com saudade de ver as estrelas sobre as águas do oceano e de conversar com o seu amado sentada na areia. Seguiram caminho de noite. Chegaram por volta das onze horas. Estava tudo tão silencioso, a estrada, a praia, o céu.
Mas depois de entrarem em casa e descerem na praia se depararam com uma visita surpresa, o pior de tudo que já acontecera até então estava acontecendo exatamente naquele momento. 
O chefe do departamento espacial de Agon rastreou a espaçonave do astronauta imprudente que acabou fazendo tudo que lhe era proibido ao invés de entrar na sua nave e voltar para seu planeta de origem. 
E era seu chefe que estava lá em uma espaçonave acompanhado de outros astronautas “policiais” prontos para prender Agon e levá-lo de volta para o seu mundo no infinito do universo. Bem no meio da areia se encontrava a nave, em volta dela havia uns dez astronautas armados prontos para levar Agon à força caso se recusasse a ir de livre e espontânea vontade.
O corpo da pobre Brianna começou a tremer, pois ela sabia muito bem o que significava aquilo. Significava que ela estaria para sempre sozinha e condenada à eterna solidão. Aos poucos sem a menor piedade a vida foi lhe tirando todos que ela amava.
Um dos astronautas se aproximou deles e disse:
– Astronauta Agon, rastreamos a sua nave e os sinais que ela deixou ao cair aqui. Então soubemos que se tratava de um acidente e viemos buscá-lo. Você precisa ir embora conosco agora mesmo! Você virá conosco! Sua nave já está guardada aqui em nossa nave maior.
– Não vou embora com vocês! Não posso fazer isso! Agora tenho uma vida aqui! Agora este é o meu planeta! – ele declarou com coragem.
– Não diga bobagem! Sabe muito que isso é extremamente proibido justamente por você ser um ser mais evoluído do que os seres desse mundo! É melhor vir logo, caso contrário, o levaremos a força, sabe que pelo que já fez será punido. Venha senão será pior! – ele o advertiu.
Na tentativa de fugir,  com um gesto impulsivo de deses¬pero, Agon segurou forte nas mãos de Brianna e os dois correram até o carro, mas foi totalmente inútil! Os astronautas os perseguiram enquanto outros cercaram o carro, as armas estavam apontadas para eles.
– Brianna, não se assuste, essas armas não matam, ape¬nas disparam raios imobilizadores – Agon assegurou-lhe. 
– Agon, acho melhor você ir embora com eles, eu vou ficar bem. O seu amor estará sempre comigo – ela afirmou triste.
– Conversarei com eles e os convencerei de que devo ficar! – ele garantiu seguro de si.
Agon se pôs a frente da tropa intergaláctica,  depois de ficarem sem saída. Lançou seus argumentos:
– Eu agradeço por terem vindo me resgatar! Porém não quero ir, quero continuar aqui neste mundo!
– Agon, você sabe muito bem que o motivo pelo qual so¬mos obrigados a levar você é extremamente secreto e sagrado. 
As coisas que você fez aqui não deveria ter feito. Você co¬nhece as leis e sabe que viver em um lugar que não é de sua natureza é algo contra todas as leis do universo – seu chefe disse gritando.
– Agon, se você for realmente um pedaço de mim irá junto, mas se é assim que tem que ser que seja! Eu não posso ir com você? – ela perguntou com certa esperança.
– De maneira nenhuma, Brianna! Se eu for nós não nos ve¬remos nunca mais – ele desconsolou-a.
– Venha logo, Agon!
– Não! Eu não aceito isso! Eu só irei se ela for comigo! – ele declarou decidido.
– Você está mesmo abandonando todos os princípios que lhe foram ensinados. Não destrua o resto de esperança que ainda lhe resta para ser absolvido de todos os crimes uni¬versais que você cometeu! De modo algum seria permitido tal coisa! Ela tem que ficar aqui. Cada ser tem que aceitar a sua própria existência, caso contrário o universo seria uma ver¬dadeira confusão. Agora de uma vez por todas se despeça de sua amiga e vamos embora! – o chefe gritou com mais força.
– Vocês me ensinaram que existe o livre-arbítrio. Eu te¬nho o meu livre-arbítrio para escolher ficar aqui! – Agon lançou sua última premissa.
– Sim, tem toda razão, você tem o livre-arbítrio para escolher continuar vivendo aqui e se essa for sua escolha final lançaremos sobre você os raios imobilizadores e o leva¬remos de qualquer maneira. Eis o nosso livre-arbítrio! Pela última vez entre nessa nave imediatamente – impôs o chefe definitivamente. 
Agon sentiu um peso maior que todo o universo comprimir sua alma. Com lágrimas nos olhos ele olhou profundamente na face de Brianna e disse:
– Brianna, eles têm razão! Eu fiz o que sabia ser errado. As leis universais não podem ser contrariadas. E eu sofrerei as punições pelos meus erros. Mas mesmo assim eu juro que jamais te esquecerei. Me lembrarei de você todos os dias e todos os minutos. Basta que você também pense em mim todos os dias e todos os minutos e assim estaremos sempre juntos, não importa o que as leis do universo nos imponham. Somos de planetas diferentes, porém somos igualmente seres vivos.
– Sim, Agon! Eu olharei todas as noites para as estrelas do céu e assim falarei com você. E quando o céu estiver nu¬blado exigirei às nuvens que se afastem para que os astros transmitam a você os meus pensamentos – Brianna disse com sua face molhada de lágrimas.
Brianna e Agon se abraçaram com o abraço mais doloro¬so de suas vidas!
Agon entrou na espaçonave com a angústia e tristeza de quem está a caminho de sua própria morte. A tropa cruel interga¬láctica também entrou e seguiram rumo ao infinito do universo.
Brianna por sua vez caiu de joelhos na areia e chorou sem parar por horas. Ela olhou para o céu, mas não via nada, sua visão embaçou por causa das lágrimas infinitas. Em apenas um segundo aquela grande espaçonave já não estava mais lá. Agora sim, a pobre jovem órfã tinha apenas as estrelas por companhia. 
Dois anos se passaram desde que tudo isso aconteceu na vida de Brianna. Passou o tempo, entretanto o sofrimento causado pela doença e solidão não passaram. O tratamento contra o seu câncer já não era para ela a busca pela cura, mas sim uma tortura. O lenço que usava na cabeça se tornou o símbolo e uma prova de que a doença estava sendo mais forte. E foi somente a ela, no consultório médico, que o doutor declarou que a doença venceu e que Brianna estava em fase terminal. A morte finalmente lhe chamava para milagrosamente pôr um fim ao seu sofrimento e à sua dor.

A jovem Brianna, já com vinte anos de idade, mas ainda carregando as mesmas feições e delicadeza de quando tinha dezesseis, sem avisar ninguém decidiu passar os últimos dias de sua vida na casa de praia. Até que ela foi feliz, pois pôde passar suas últimas noites contemplando as estrelas! E ela se perguntava em meio a seus pensamentos onde estaria Agon naquele momento, o que estaria ele fazendo? Talvez pensan¬do nela...
Um mês após chegar à casa de praia, Brianna, enfraque¬cida demais pela doença, já não se levantava mais da cama. Ela estava vivendo seus últimos momentos de vida.
E na noite de seu último suspiro algo aconteceu! Foi o verdadeiro milagre.
Ele estava ali novamente, ele mesmo, o astronauta Agon. Finalmente depois de um longo julgamento ele recebeu permissão para visitar Brianna e levar-lhe a cura de sua doença. 
Foi numa noite de céu estrelado que o astronauta pousou sua nave nas areias daquela praia, ao sair da espaçonave ele correu desesperado até a casa, onde mais desesperado a procurou Brianna por todos os cômo¬dos até enfim encontrá-la morrendo no quarto, mais solitária do que a própria solidão. Os olhos dele se chocaram ao vê-la daquele jeito, pois não esperava que ela estivesse morrendo.
Agon não pôde se conter e se prostrou sobre Brianna dizendo penitente:
– Brianna, eu voltei! Eles permitiram que eu viesse para lhe visitar e lhe trazer a cura. Aqui está! A cura está nesta injeção.
– Agon, estou com a visão um pouco embaçada, mas reconheço você, suas roupas. Ver você agora é o melhor pre¬sente que a vida me deu até hoje! – ela disse com voz fraca.
Eles se abraçaram fortemente e durante esse longo abra¬ço ela declarou sua partida para o infinito:
– Agon, agora já é tarde demais, estou morrendo neste exato momento. Assim será melhor, seus líderes tinham toda razão! Melhor do que a cura é ter você de volta aqui comigo.
- Não, Brianna, aqui está a cura, vou aplicá-la em você agora. Tem que funcionar. 
Ele aplicou a injeção nas veias dela. 
-  Já que está aqui quero lhe pedir uma coisa. – Brianna sussurrou. 
– O que você quer, meu amor? Peça o que quiser e eu farei – Agon disse com lágrimas lavando o seu rosto.
– Agon, me carregue no colo e me leve até a areia da praia, quero morrer olhando as estrelas, as estrelas que me trouxeram você – ela pediu sussurrando.
O astronauta Agon pegou Brianna em seus braços e le¬vou-a para a areia da praia. Ele a segurava olhando-a tal qual um pai quando olha com emoção para seu filho recém-nasci¬do. Só que nesse caso ela era a mulher que ele tanto amava.
Ao colocá-la na areia disse enquanto chorava ajoelhado diante dela:
– Brianna, eu não quero que você morra agora. A injeção tem que dar certo. 
– Agon, agora é a minha vez de ir embora, mas agora pra onde eu vou nenhuma nave poderá te levar. Aqui na areia dessa praia eu te encontrei, e aqui mesmo eu me despeço de você. Porém nunca se entristeça, pois enquanto esse mesmo universo existir nós também sempre existiremos. Olhe sempre as estrelas e se lembre de mim. Adeus, meu amor.  – ela conseguiu dizer essas últimas palavras.

Brianna morreu naquele instante enquanto olhava as estrelas (astros esses que ela tanto amava) nos braços do astronauta Agon. E as lágrimas que caíram dos olhos dele sobre o rosto dela não foram suficientes para devolver-lhe a vida, mas foram suficientes para mostrar à vida o grande sofrimento que a própria vida lhe causou.

JM JAMILA MAFRA


Publicado por Jamila Mafra em 26/04/2018 às 12h02
Copyright © 2018. Todos os direitos reservados.
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26/04/2018 11h54
Nova York Para Sempre, Um Amor Para Recomeçar (na Amazon)

Cristina Müller tinha o grande sonho de ir embora para os Estados Unidos da América e quando finalmente chega ao seu destino, há tempos desejado, vive inesquecíveis momentos de alegria, dúvidas, dor e realizações.
Na cidade de Nova York ela começa a trabalhar como babá na casa da família Olsen, onde encontra pela primeira vez Eric Preston, um empresário próspero e feliz que administra a empresa dos pais. No entanto, após enfrentar a maior tristeza de sua vida ele se torna um homem amargo e solitário, quase incapaz de viver o amor. 
Cristina tenta conquistar o coração de Eric que o tempo todo se mostra resistente sempre fugindo de seus sentimentos, afinal amar não é algo tão simples assim, e isso porque os obstáculos precisam ser vencidos e toda dor superada.

JM JAMILA MAFRA


Publicado por Jamila Mafra em 26/04/2018 às 11h54
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