Jamila Mafra
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Meu novo livro de ficção científica Cidades do Futuro 
em breve nova edição disponível na Amazon. 
Confiram a sinopse e em Seguida o Primeiro Capítulo!


Sinopse:
Nebulosa Marylin nasceu no planeta Terra no ano de 2481 d.C, era solitária, órfã de pai justamente num momento em que os homens eram escassos no mundo. Cresceu na caótica megalópole São Paulo, enfrentou muitas doenças, como o câncer, por exemplo, doença tão trivial e banal quanto é uma dor de cabeça para os humanos do século XXI. A alopatia já não mais existe, as injeções de nanorrobôs curam quase todas as doenças.
No ano de 2500 d.C a ciência enfrenta o maior desafio da humanidade até aquele momento: descobrir a causa do exorbitante número de nascimentos de meninos natimortos no mundo.
A maior parte da população mundial é composta por mulheres, poucos meninos nascem vivos, até mesmo aqueles gerados artificialmente nas incubadoras gestacionais não sobrevivem, e não há causa biológica aparente para este fenômeno. Além disso, a maior parte dos nascimentos por meios naturais é de seres humanos do sexo feminino.
Todo o continente americano tornou-se um único país chamado Nação Unificada da América do Brasil, sua capital é a Cidade Ecológica Nova Florianópolis, localizada no interior do estado de Santa Catarina, região sul do país, um dos últimos lugares da Terra onde resta solo fértil para plantio.
A radioatividade despejada nos oceanos durante décadas por atividades em usinas nucleares, bem como a radiação das bombas detonadas na atmosfera na terceira e quarta guerra mundial, modificaram drasticamente o clima do planeta, deteriorando os ecossistemas e derretendo todo o gelo da Antártida. Assim, os litorais do mundo foram inevitavelmente submersos, estando apenas as ruínas de cidades engolidas pelos oceanos.
Os androides masculinos e femininos dominam o mundo, eles são os médicos, modelos, empregados e até os animais de estimação são robôs. A vida natural como a de plantas, árvores e animais, é muito rara, e a riqueza de uma pessoa é medida pela quantidade de bens naturais que possua, por exemplo, alguém que possua uma árvore ou um cachorro é considerado uma pessoa bilionária, pois esses seres vivos são reproduzidos somente em laboratório em quantidades ínfimas.
Assim o mundo se tornou vegano, afinal não existem mais animais suficientes para serem mortos e servir de alimento ao homem.
Nebulosa Marylin é a mulher do século XXV, época em que a relação amorosa entre mulheres e médicos androides é proibida.
Novas descobertas da ciência, altas tecnologias e conflitos de relacionamento entre a vida biológica e os seres artificiais farão Nebulosa viver experiências inesquecíveis.


Capítulo 1 
PLANETA TERRA, ano 2500 d.C


Os sensores detectaram a presença de um ser à porta. Nebulosa levantou-se da poltrona.
- Abrir. – ela autorizou o sistema.
A porta abriu-se.
-Boa noite. – ela sorriu.
- Boa noite, senhorita Nebulosa Marylin. Eu sou o robô Google Store número 9678, estou aqui para fazer a entrega da cota mensal de suprimentos alimentares sintéticos à sua mãe, a você e às suas irmãs Águia Caronte e Pandora.
- Obrigada, robô Google. Você é novo por aqui, não é mesmo?
- Sim. Iniciei hoje meus trabalhos de entregas neste conjunto de edifícios.
- Seja bem-vindo.
- Aviso importante. Seu padrasto já deixou adiantado o pagamento referente aos cinco próximos meses de suprimentos. Aqui está a caixa.
- Mais uma vez, obrigada, robô Google. Eu mesmo recebo o pacote. Gerar código de recibo no sistema. – ela agradeceu, sorriu com simpatia.
 - Código de recibo gerado e gravado, até logo, senhorita.
- Até o próximo mês. – Nebulosa já estava segurando a pequena caixa de acrílico dentro da qual havia os envelopes de alimentos sintéticos.
Persis entrou na sala, perguntou olhando para a filha:
- Nebulosa, quem chamou à porta?
 - Mãe, já está em casa? Era apenas um robô da Google Store fazendo a entrega mensal da nossa cota de alimentos sintéticos.
- Chegou mais cedo nesse mês. Ainda temos comida da cota anterior. Sobraram envelopes de vegetais secos e pílulas vitamínicas.
- Estamos comendo pouco. Ah! Seu marido deixou adiantado o pagamento dos próximos cinco meses de suprimentos.
- Verdade? Pelo menos isso, e eu que já estava achando ele um tanto avarento. Ultimamente ele só tem dado atenção para as esposas das cidades espaciais.
- Não deveria reclamar, mãe. Você tem sorte de ter conseguido se casar de novo depois da morte do papai.
 - Sim, talvez eu tenha mesmo. Mas mudando o assunto, vi agora a notícia. A SpaceX Revolution acabou de enviar mais uma nave espacial tripulada com robôs androides para o planeta Marte.
- Jura? Incrível. É uma viagem arriscada e cansativa para humanos que acabam ficando por lá mesmo. Semana passada eu estava revendo em uma cabine/cápsula do tempo de uma amiga minha rica o momento em que o clone do doutor Musk pisou em Marte pela primeira vez no ano de 2200 d.C.  Senti como se fosse eu mesma chegando lá.
 - Também não canso de ver esse momento na cápsula holográfica do tempo que inclusive está cada dia mais atualizada com cenas inéditas de acontecimentos fantásticos do passado. Pena que custa tão caro a hora de uso. Mas às vezes vale a pena pagar por quinze minutos de curiosidade sobre o passado. Se o doutor Musk pudesse ver o momento em que o clone dele chegou a Marte 129 anos depois de sua morte com certeza ele se emocionaria. – Persis sentou-se na poltrona e ativou a tela holográfica de imagens e notícias.
- É uma pena que ele tenha falecido apenas vinte e nove anos antes da partida de sua primeira nave espacial que chegou ao planeta vermelho.
- Sim, uma pena mesmo! Aquele foi o inesquecível ano de 2100 d.C, a data em que pela primeira vez uma nave tripulada chegou ao planeta vermelho.
- Sempre choro de emoção quando vejo as imagens. – Nebulosa já estava com os olhos lacrimejando.
- Ah, e antes que eu me esqueça, suas irmãs ainda não voltaram do trabalho. Por favor, separe as porções mensais de suprimento alimentar de cada uma e as disponha em ordem no cômodo de armazenamento alimentar para que não haja confusão no momento de consumi-las.
- Farei isso, mãe. Conheço as irmãs que eu tenho e sei bem que Águia Caronte e Pandora sempre brigam acusando uma a outra de terem recebido mais suprimento. Eu só continuo triste porque eu ainda não consegui um emprego.
- Não se preocupe com isso, Nebulosa. Com seu curso novo logo conseguirá um trabalho em uma cidade ecológica e poderá viver melhor do que aqui na megalópole.
No ano de 2500 d.C Nebulosa Marylin era uma moça de classe média sem muitos sonhos, ao menos ainda pôde ter um lar, um apartamento com refrigeração padrão. Ela não frequentou a escola, pois esse era um privilégio apenas das crianças ricas e de alto QI das cidades ecológicas! Ela nasceu em 2481 d. C, e depois de quase duas décadas quase nada mudou no mundo.
Ela aprendeu a ler e escrever como qualquer outro indivíduo da classe média ou pobre: através dos microdispositvos holográficos de alfabetização que transmitiam as informações e conhecimentos armazenados por séculos. Esse dispositivo era distribuído gratuitamente pelos governos. Não existiam analfabetos no fim do século 26, até o mais miserável sabia fazer cálculos, ler e escrever, inclusive em outros idiomas!
A desilusão de Nebulosa com o mundo e com a vida era imensa, isso porque não via nenhuma expectativa nova para sua monótona existência. Aquela cidade era o retrato da devastação, da pobreza e da miséria, o que na verdade começou a ser desde o século 19.
Cem por cento das máquinas, robôs, naves, carros, aparelhos, luminárias e tudo o mais era movido e funcionava a base da energia que mais castigava o mundo: a energia solar. A atividade solar e emissão de raios UVA E UVB tornaram-se cada vez mais intensas, abundantes, de forma que era possível consumi-la de maneira esbanjadora e inesgotável. Todo aquele calor que destruiu as lavouras e o solo do planeta era o mesmo que mantinha funcionando os refrigeradores, as fábricas, as estufas e assim a sobrevivência da população.
A ciência ainda não encontrara uma explicação exata, mas antes daquele século iniciou-se um processo anormal de nascimentos de mulheres na Terra e pouquíssimos homens, quase 90% dos meninos gerados, tanto in vitros de gestação  quanto naturalmente, nasciam mortos.
Eram em média 80 a 100 mulheres para cada homem, sendo que os mais saudáveis e a maioria que nascia viva eram gerados em vitros gestacionais nos grandes e caros centros de clonagem e reprodução humana.
Esses centros estavam localizados longe da confusão das megalópoles, ficavam nas cidades ecológicas, locais perfeitos para os ricos da época viverem cercados de natureza, tecnologia e saúde.
Eram cidades cápsulas que os protegiam de tempestades torrenciais e dos dias de calor extremo causados pelas tempestades solares, em certos dias a temperatura alcançava 65 graus Celsius em plena América do Sul. Nessas ocasiões os tetos das cidades ecológicas permaneciam fechados formando uma imensa cápsula protetora.
O dia foi trocado pela noite. Nas doze horas em que o sol aparecia todos dormiam, e nas doze horas de noite as pessoas trabalhavam, mendigavam, enfim, ficavam acordadas exercendo suas atividades diárias.
A radioatividade despejada dentro dos oceanos nos séculos 21 e 22 através de vazamentos de usinas nucleares e detonação das bombas atômicas contaminou as águas e o solo em todo o planeta Terra causando o maior desequilíbrio ecológico da história da humanidade, jamais imaginado até mesmo no período da grande guerra nuclear.
Todo o continente americano tornou-se um único país chamado Nação Unificada da América do Brasil, sua capital era a Cidade Ecológica Nova Florianópolis, localizada no interior do antigo estado de Santa Catarina, região sul do antigo Brasil, um dos últimos lugares da Terra onde restou solo fértil para plantio sem contaminação radioativa.
O desequilíbrio ecológico resultante dos desastres nucleares causou o grande degelo da Antártida fazendo quase todo o litoral do continente americano ser submerso pelo oceano. Cidades flutuantes foram erguidas sobre as águas, eram casas caríssimas, mas muito resistentes a furacões e tempestades torrenciais litorâneas constantes.
Cada cidade possuía seu próprio administrador governante e leis independentes das leis de outras cidades, não sendo permitido somente que suas legislações contradissessem a Constituição Universal que regia todo o planeta. O idioma era a combinação gramatical do português, inglês e espanhol, com a presença de vários dialetos originados a partir de outros idiomas.
Nos prédios das megalópoles não havia janelas, e isso para que o ambiente interno não sofresse nenhuma interferência da temperatura externa, a luz e radiação solar eram insuportáveis, a atmosfera terrestre já não mais protegia o planeta como antes. O calor vindo de fora era extremo, bem como o frio algumas vezes.
O cenário nas megalópoles era um tanto inacreditável para a civilização das dezenas de séculos anteriores, havia mulheres por todos os lados, aos montes, sentadas nas esquinas dos túneis, pedindo esmolas, umas muito jovens abandonadas, meninas sem lar, outras andando em grupo até contentes por terem uma família, parecia um planeta apenas de seres femininos, e em meio a todas elas via-se com espanto um homem ou outro por entre aquele exército de fêmeas.
Como medida de contenção e na tentativa de aliviar essa calamidade social os quatro governos administradores da Terra, um de cada continente, aprovaram e determinaram uma nova lei mundial que obrigou a poligamia masculina. Nebulosa Marylin possuía catorze irmãs e um irmão, seu pai faleceu deixando dez esposas, catorze filhas e apenas um filho. Destas, quatro já eram casadas, duas moravam com ela e sua mãe Persis, e as outras sete trabalhavam no laboratório de cultivo vegetal na cidade espacial número 8, por fim seu irmão era geneticista em um centro de reprodução humana na cidade espacial número doze.
Mesmo sendo ainda tão jovem Nebulosa sofria com um câncer recidivo  de estômago, sem condições de pagar um médico androide nas clínicas das cidades ecológicas ela dependia exclusivamente das cápsulas populares de injeções nanorrobóticas.
As cápsulas eram espécies de cabines onde as pessoas doentes entravam para receber injeções de nanorrobôs que eram introduzidos em suas veias ou no local específico da doença. Havia centenas dessas cápsulas espalhadas por todas as megalópoles pelo governo para tratar a população contra todas as doenças e também cápsulas psiquiátricas para tratar males mentais.
Os pacientes entravam na cápsula, que possuía um sistema de diagnósticos por imagem quântica- atômica, em poucos segundos o sistema revelava qual era a doença e ali mesmo receitava e aplicava o tipo de injeção nanorrobótica necessária para o indivíduo. Os nanorrobôs, que são microrrobôs do tamanho das células, por sua vez entravam no exato local da doença e em poucas horas ou minutos a destruía.
No caso das cápsulas psiquiátricas o indivíduo adentrava-a, contava seu problema e em poucos instantes uma sequência de imagens, sons, palavras e ondas de partículas eletromagnéticas eram enviadas à mente do paciente proporcionando uma neuroplastia cerebral. Assim suas conexões neurais eram reestruturadas, organizando seu pensamento e funções cerebrais, de maneira que sua ordem mental era restabelecida e seus transtornos psíquicos eliminados.
Muitas pessoas, tanto nas metrópoles quanto nas cidades ecológicas, tinham a capacidade de curarem-se apenas usando sua alta capacidade de meditação para manipular as moléculas que constituem todas as coisas, principalmente seus corpos.
 Este se tornou um fenômeno explicado pela ciência em geral e pela Física que pôde medir a interferência quântica das ondas eletromagnéticas cerebrais no ambiente externo, além de alterarem a constituição das coisas conseguiam também manipular as possibilidades quânticas das realidades de suas vidas escolhendo os eventos e probabilidades favoráveis que queriam que se concretizasse em sua realidade dimensional. Costumeiramente tentavam curar outros doentes, mas na maioria das vezes não conseguiam devido aos padrões de emissão eletromagnética dos doentes ser estático e inalterado. Este bloqueio repelia as partículas eletromagnéticas que realizariam a cura, uma espécie de choque.
A capacidade cerebral de manipulação quântica molecular desses seres humanos especiais era tão grande que quando se cortavam ou quebravam um osso a regeneração acontecia quase que instantaneamente, bastando apenas que elas olhassem para a parte do corpo danificada e a enxergasse perfeita sem o dano. Em poucos segundos o corpo se tornava intacto novamente. Eram poucos com esse poder, e aqueles que o possuíam usavam obrigatoriamente um chip de contenção em seus cérebros.
 

 
Jamila Mafra
Enviado por Jamila Mafra em 21/09/2018
Alterado em 05/11/2018
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