Jamila Mafra
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SINOPSE: 
A Alemanha nazista presenciava a forte iminência da Segunda Guerra Mundial. Diante de um cenário cada vez mais caótico e discriminatório, Lindie, uma adolescente carismática e de opiniões fortes, vê-se em meio a um dilema: apoiar o regime de Adolf Hitler, assim como seu pai, um general de elite, e seu namorado, o soldado Joseph, ou ir contra toda a barbaridade que assolava seu país?
Em uma Berlim cada vez mais dominada pelos ideais do Terceiro Reich e com a literatura e a ciência censuradas, Lindie não desiste de lutar por sua educação e acaba conhecendo Steve, um jornalista e professor universitário, por quem se apaixona.
Dividida entre dois amores, a jovem ainda precisa encontrar uma maneira de salvar suas amigas judias, capturadas pela polícia alemã.
Um emaranhado de propósitos e causas fará com que Lindie viva episódios que colocarão sua vida e a vida de sua família em risco. Suas decisões também se refletirão em seu coração, mostrando que, mesmo em meio a tanta barbárie, seu único pilar é o amor.


CAPÍTULO 1
FOGUEIRA


É impossível esquecer aquele início de noite em que o conhecimento começou a arder nas chamas do ódio. Eu era apenas uma criança que havia passado alguns dias internada no hospital e que ainda não entendia exatamente o que estava acontecendo na cidade de Berlim, mas me recordo de cada detalhe da cena que meus olhos são incapazes de esquecer.
Eu estava sentada no banco de trás do carro, meu pai dirigia enquanto minha mãe, que estava ao lado dele nos bancos dianteiros, mantinha olhares atentos para o lado de fora. Ainda me sentia fraca, apesar de estar quase totalmente recuperada.
Através do vidro entreaberto da janela pude ver jovens, estudantes, adultos e crianças nas ruas e esquinas, em volta das fogueiras, atirando nelas muitos livros, além de diversos outros materiais impressos.
Era início de maio quando foram organizadas manifestações nas praças principais, ruas e cidades universitárias, onde atearam fogo a enormes quantidades de livros de autores judeus, esquerdistas, comunistas e quaisquer outros considerados subversivos pelo regime de Hitler.
Hoje sei que os nazistas pretendiam uma suposta revolução com tudo aquilo. Através do que chamavam de revolução, as influências culturais estrangeiras ou contrárias aos propósitos do Terceiro Reich seriam eliminadas e o puro espírito alemão assim ressurgiria.
— Papai, por que as pessoas estão jogando aqueles livros na fogueira? – eu perguntei, ainda ingênua, em tom de voz baixo, quase sussurrando.
Meus pais entreolharam-se, pareciam constrangidos para me dar uma resposta.
— Isso faz parte da revolução cultural, minha filha – meu pai respondeu, como se naquela idade eu já compreendesse o profundo significado da palavra revolução.
— Revolução? –demonstrei estar confusa quanto ao significado da palavra.
— Sim, Lindie. Todos estão queimando aquilo que não é bom para nós alemães e preservando a nossa cultura – minha mãe tentou me explicar.
— Esses livros que estão sendo destruídos foram escritos por pessoas más e propagam ideias que não são boas para nós – meu pai comentou mais uma vez.
— Querida, na escola sua professora vai explicar melhor tudo que está acontecendo. Logo você estará completamente recuperada e poderá voltar a frequentar as aulas – minha mãe preferiu encerrar o assunto.
Houve uns minutos de silêncio. As chamas ainda ardiam para todos os lados. Meu pai comentou com minha mãe:
— Os alemães não têm que apenas aprovar o Terceiro Reich, precisam apoiar nosso governo de corpo e alma.
— Sim, meu amor. Nada, nem mesmo crenças religiosas, nem escrúpulos éticos, falsos moralismos, nem mesmo nenhuma tradição impedirá nossa revolução de acontecer – minha concordou com ele.
Permitir que os livros ruins sejam queimados abre caminho para permitir que os livros bons também sejam. Tudo aquilo considerado um desvio dos padrões do nazismo foi destruído sem piedade. Milhares de livros foram tragados pelas chamas da ignorância.
Alguns intelectuais justificavam essa atitude dizendo que era necessária a purificação radical da literatura alemã em relação a fatores que poderiam contaminar a cultura ariana.


JM JAMILA MAFRA 


 
Jamila Mafra
Enviado por Jamila Mafra em 21/09/2018
Alterado em 04/10/2018
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